Como o ChatGPT, a inteligência artificial, afeta o campo da comunicação?
por Gabriella Zilma
Hoje em dia é bem comum procurarmos tudo o que precisamos em uma rede social, sendo uma loja, restaurante, empresa ou o que for, devido à facilidade e modernidade das tecnologias atuais. Segundo o relatório do Banco Mundial de um único dia, mais de 2,3 bilhões de gigabytes são trafegados em dados na internet; mais de 200 bilhões de e-mails são trocados; mais de 4 bilhões de buscas no Google ocorrem diariamente.
A tecnologia de inteligência artificial (IA) está modificando o jeito como as empresas agem com os clientes e como as informações são trocadas no cenário da mídia. Em pouco mais de 50 anos, Herbert Simon, um dos pais da Economia Comportamental e prêmio Nobel em 1978, afirmou que a explosão na oferta de informação causaria uma escassez de atenção, sendo o recurso importante para consumir a informação.
Não é de agora que surgem essas evoluções tecnológicas, há anos cientistas de muitos setores tentam aperfeiçoar os softwares da IA. Mas, em meados de 2022 surge o ChatGPT, que está agitando todas as áreas profissionais. Inclusive, na comunicação, onde muitos trabalhadores precisam utilizar a ferramenta ao seu favor.
No início, o sistema foi gerado para criar textos realistas e articulados a partir de perguntas e comandos dos usuários e simular conversas com um ser humano. E então, foi lançada em novembro pela OpenAI, startup com sede na Califórnia, nos Estados Unidos. Após dois meses do seu lançamento, a ferramenta já era utilizada por mais de 100 milhões de pessoas, segundo a Revista de Pesquisa Fapesp.
No entanto, por trás de tamanha inovação e tecnologia, há uma preocupação relevante sobre o uso excessivo em muitas áreas profissionais. Pois, o sistema se mostrou capaz de escrever poemas, compor músicas, códigos de programação e até textos jornalísticos.
Algo que, particularmente, também me traz uma inquietação e até mesmo um questionamento: qual o risco de a inteligência artificial roubar meu trabalho na redação jornalística? Na última quinta-feira (18), o ChatGPT, ganhou um aplicativo para iPhone (iOS), que estava disponível apenas em uma versão para navegador. Segundo a OpenAI, em breve, será lançado uma versão do robô para Android.
Segundo Bill Gates, o cofundador da Microsoft, o ChatGPT é tão importante quanto a invenção da internet, segundo postagem do jornal de negócios alemão Handelsblatt feita em fevereiro deste ano.
“Até agora, a inteligência artificial podia ler e escrever, mas não conseguia entender o conteúdo. Os novos programas como o ChatGPT vão tornar muitos trabalhos de escritório mais eficientes. Isso vai mudar o nosso mundo”, disse o bilionário, segundo o jornal.
De volta ao meu questionamento anterior, as empresas também precisam ter um cuidado com o uso de IA, principalmente pelos colaboradores em início de carreira, como os estagiários. Segundo o professor do Instituto de Informática da Universidade Federal do RS (UFRGS) Luis Lamb, que atualmente estuda Inovação no Massachusetts Institute of Technology (MIT), o ChatGPT é muito útil para especialistas. Mas precisa ser visto com ressalvas em relação a leigos e iniciantes. “A empresa tem que usar com parcimônia e com supervisão para poder indicar aos seus funcionários se determinado trabalho faz sentido ou não”, afirma.
Em um evento fechado sobre “O Futuro da IA e o Brasil”, promovido pela Fundação Lemann, o criador desta ferramenta afirmou que muitos empregos podem desaparecer. “Achamos que muitos empregos vão desaparecer [com a IA], isso acontece em toda revolução tecnológica, mas muitos empregos vão melhorar. Em geral, eu acho que vamos ver impacto em todos os lugares. A sociedade pode regulamentá-la, mas não vai impedir isso de acontecer”.
Assim, um relatório do Fórum Econômico Mundial, elaborado em parceria com a Fundação Dom Cabral mostra que, até 2027, a expectativa é que pelos menos 23% dos atuais postos de trabalho sejam alterados. Alguns serão criados, outros vão sofrer alguma transformação e até desaparecer.
“Muitos serão substituídos por algoritmos que automatizam essas funções ou, então, por autosserviço, como caixa do supermercado e caixa do banco”, diz o professor associado da Fundação Dom Cabral, Carlos Arruda.
Enquanto as profissões com alta demanda nos próximos 4 anos serão os especialistas em inteligência artificial, aprendizagem de máquina, big data, segurança da informação, professores e pessoas que trabalham com energia renovável.
Sendo assim, eu posso ser substituída a qualquer momento em meu trabalho por uma Inteligência Artificial, que poderá produzir um número de matéria superior ao meu e ainda com um custo menor à empresa. Porém, talvez isso não ocorra, já que é preciso ter um cuidado com o uso do chatbot, ao usar abundantemente de textos como fonte para prever o que escreverá em seguida.
Ou seja, esse conteúdo vem de muitos lugares na web, origens essas que, segundo Luis Lamb, o professor do Instituto de Informática da Universidade Federal do RS (UFRGS), não foram bem compartilhadas. Como resultado, algumas produções do ChatGPT têm sido chamadas pelos especialistas de “alucinações”, já que são invenções do robô.
Portanto, é necessário fazer uma checagem das informações. Lamb sugere que as empresas capacitem gestores que entendam de IA para dar conta desse serviço. “Se no passado se estudava contabilidade, finanças, as escolas de negócios vão ter de oferecer estudos de inteligência artificial”, diz.
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