Nena Queiroga e Clara Neves contam suas experiências e desafios no meio artístico

por Gabriella Zilma  

 

Mesmo sendo um ambiente que contém muito glamour, o meio artístico musical não é fácil de manter, e é um assunto não muito discutido ou colocado em pauta entre a população. As artistas Nena Queiroga e Clara Neves, ambas cantoras de frevo, contam detalhes de uma vida na música: desafios e vivências enfrentadas durante os anos de carreira na folia, desde o medo do assédio até o julgamento alheio sobre seu peso.  

Ter uma carreira musical não é uma tarefa fácil, além do preconceito com quem escolhe essa vida, também é complicado obter apoio dos familiares e recursos financeiros. Não sendo suficiente, o público feminino é o mais prejudicado e desvalorizado no mercado brasileiro, mesmo em pleno século XXI. 

Segundo a pesquisa realizada pela Data SIM (Semana Internacional da Música), a respeito de informações e dados sobre o cenário musical, cerca de 84% das mulheres brasileiras ligadas ao setor já foram discriminadas no ambiente de trabalho. A diretora de pesquisa do Data SIM, Daniela Ribas, destacou que 49% das entrevistadas relatam o assédio sexual, como a maior dificuldade na sua profissão. 

Para Nena Queiroga e Clara Neves também não foi muito diferente, mesmo com todas as precauções, Nena Queiroga relata “não enfrentei grandes obstáculos, até porque sempre fui muito protegida, sempre trabalhei com minha família. Mas infelizmente coisas que são consideradas “normais”, que era ficar sempre se auto vigiando, que roupa vestir para não chamar muita atenção da sexualidade, porque poderia chamar atenção dos homens e para mim, isso já era um grande incômodo.” 

Desde então, a cantora sempre esteve preocupada com sua imagem e com o que ela pode transmitir para outros olhares maldosos.  

Mas até quando as mulheres terão essa preocupação, ter que tomar cuidado com o que vestem, como agem para não serem olhadas de cima a baixo, serem mal interpretadas e assediadas sexualmente, seja em seu local de trabalho, lazer, ou até mesmo em casa? 

Além dessa preocupação em saber exatamente o que vestir, o corpo feminino também é assunto muito discutido e criticado pela sociedade. A necessidade de manter um corpo nos padrões, estabelecidos pela sociedade, também é existente no cenário musical. 

Clara Neves informa “a pressão que a mulher sofre, principalmente pela estética, é algo que já me incomodou bastante. Parece que a gente tem sempre que estar da forma que os outros acham para atingir um padrão imposto, independente da sua voz ou do seu talento para algo. Muitas vezes me senti constrangida por comentários, mas hoje sei o meu lugar e não me deixo mais ser atingida.” 

Um dos grandes exemplos é Marília Mendonça, grande artista que nos deixou tão precocemente, após ganhar muita repercussão com suas músicas e sua potência vocal. Marília, recebeu inúmeras críticas no início da sua carreira, por estar acima do peso, “eu canto, não subo na passarela” foi sua resposta aos comentários sobre seu peso na época. Esses são apenas alguns de muitos relatos que mostram a realidade do público feminino nessa profissão, que por muitas vezes torna-se cruel. 

Entretanto, o sonho de conquistar o sucesso é o que motiva a continuar nesse cenário musical. Mesmo sendo difícil, também existem suas qualidades, sentir a vibração do público, o carinho e a empolgação de todos cantando a mesma música. Clara, que canta desde a infância, acredita que o despertar para essa paixão aconteceu quando, aos 15 anos, participou de um festival de frevo. 

“Ali eu percebi que não dava para fugir do meu destino” relatou. 

Com uma família musical onde seu pai Luís Queiroga, radialista e compositor, e sua mãe Meves Gama, cantora que participou intensamente de diversos carnavais. Nena Queiroga não consegue identificar o momento exato que se apaixonou pela música, a mesma afirma que desde pequena sentiu uma ligação com a música. 

“Acho que já nasci apaixonada pela música, desde a barriga da minha mãe” relata.

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