Resenha Crítica do livro “Clara da luz do mar” de autoria de Edwidge Danticat

 por Gabriella Zilma


O texto irá tratar sobre o livro “Clara da luz do mar”, de literatura haitiana, escrito pela autora Edwidge Danticat. O livro foi lançado recentemente em março, no dia 7, onde conquistou alguns admiradores. Pois, o livro fala sobre a vida da personagem principal, Claire, de 7 anos, mas, ao mesmo tempo, vai mesclando com várias histórias, que interligam os personagens da região pobre do Haiti. 

De início, admito achar o começo do livro confuso, deixando as histórias no ar, sem muitas explicações. Porém, no decorrer de cada capítulo, onde o autor mostra a percepção de cada personagem, é possível compreender os fatos. Além disso, é notório a cultura afro-latina em seu enredo, mostrando a presença de uma enorme riqueza da cultura haitiana, inspirada nos franceses. Um dos pontos que mais me cativou, é como o livro aborda o amor incondicional entre pais e filhos. 

Para começar, o livro inicia falando sobre a menina Claire, de apenas 7 anos, que mora com seu pai, Nozias, em um vilarejo do Haiti em Villa Rose. Sua mãe, que também se chama Claire, trabalhava na funerária do pai, onde um tempo depois, o pai torna-se prefeito da cidade. Porém, o dia do nascimento da menina Claire, também é o dia em que sua mãe faleceu, deixando Nozias sozinho com a criança recém-nascida. 

Assim, a história vem acompanhando a vida da menina da hora que ela nasce até o aniversário dela de 7 anos, sendo assim, todos os seus aniversários são marcados por visitas ao túmulo de sua mãe e algumas tragédias, como a morte da filha da costureira, a morte do amigo do pai e um acidente. 

Com isso, a drama surge quando o pai se mostra indeciso em entregar sua filha à costureira da cidade, que possui boas condições financeiras e poderia dar um ótimo futuro para sua filha. Assim, o leitor pode acompanhar esse drama ao longo da história, mas, ao mesmo tempo, também consegue ficar ciente da individualidade de cada personagem do vilarejo e possuem alguma ligação. 

As histórias vão da radialista que se traveste de professora, da vendedora de tecidos que perde o marido, mas ganha uma filha no mesmo instante… também do casal Nozias e Claire que se sentem afortunados por estarem esperando uma criança. E tantas outras narrativas cruzadas na vida e na morte na pequena cidade haitiana. 

A narrativa é em terceira pessoa, permitindo o leitor a entender o ponto de vista da situação de cada um, mostrando o que cada personagem está vivendo. Além de revelar a visão ótica de Claire, que é vivo, rico em cores, novidades e detalhes, enquanto o do seu pai, nota-se uma realidade mais acinzentada. 

Então, torna-se interessante observar como cada história possui uma ligação com a outra. Além de trazer temas importantes, encontradas na sociedade até hoje, como violência sexual contra mulher, a educação, questões políticas e o machismo presente em qualquer lugar. Outro tema relevante, já abordado de início, é sobre a necessidade de sair do seu país de origem para conseguir alguma qualidade de vida superior, com recursos financeiros melhores.  

Dito isso, é bom ressaltar que, o livro mostra uma conexão paterna e materna, sendo muito bem desenvolvidas, e, ao mesmo tempo, torna-se paradoxo, pois era para ser uma coisa feliz e no final acaba não sendo. Além disso, todos os personagens possuem alguma história de “filho e pai/mãe”. No entanto, é um livro excelente, que vale o esforço para ler, já que possui uma leitura “lenta”, que exige da sua concentração. Realmente, foi ótimo ler, pela primeira vez, uma literatura haitiana muito rica em suas histórias. 

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